«Estamos a criar condições para atingirmos o nível das melhores instituições de ensino superior do país»
Entrevista ao Presidente do ISCED-Cabinda · 5 de Junho de 2025

O Presidente do ISCED-Cabinda fala sobre o funcionamento da instituição, a entrada de 25 novos docentes, a formação de professores no estrangeiro e os cursos em funcionamento.
- Como caracteriza o estado de funcionamento do ISCED de Cabinda?
Podemos dizer que temos estado a fazer algum esforço, para que algumas situações que caracterizam, hoje, o país, não coloquem em causa o normal funcionamento desta instituição. Portanto, tem sido um exercício difícil, mas que, até agora, podemos dizer que essa instituição tem rumo e segue normalmente.
- “O ISCED tem rumo e segue o seu caminho normalmente”, isso significa o quê, concretamente?
Significa que, apesar das dificuldades, conforme acabei de referir, temos feito um trabalho cujos resultados têm permitido à instituição cumprir o seu calendário normal. As instituições têm calendário académico e, em muitas delas, determinadas dificuldades colocam em causa o normal cumprimento do seu programa. Quanto a nós, isso não se coloca em causa. A nossa instituição funciona na normalidade. No princípio deste ano, conseguimos encerrar com êxito o Concurso Público de Ingresso, que iniciamos em 2024.
- Acha que o número de admitidos vai minimizar o problema da falta de professores na instituição?
Felizmente, conseguimos inserir na nossa folha de salários 25 novos professores. Este número de docentes não vai cobrir o vazio que havia, mas vai ajudar bastante, sobretudo em áreas muito carenciadas, onde prestamos maior atenção, nomeadamente o Departamento de Ciências da Natureza e Ciências Exactas, concretamente nos cursos de Biologia e Matemática. Nestas áreas, a carência aumentou a partir da altura em que, por uma estratégia da instituição, tivemos que arriscar a saída de alguns professores, a fim de aumentarem os seus níveis académicos, com a frequência de Mestrado e Doutoramento.
- Quantos docentes saíram para frequentar cursos de Mestrado e Doutoramento fora de Angola e em que países, concretamente?
São no total cinco professores que estão a ser formados na Universidade de São Paulo, no Brasil, nas especialidades de Matemática e Biologia.
- No total, qual era a necessidade real de docentes para o ISCED de Cabinda?
Na planificação que tínhamos remetido ao Ministério do Ensino Superior, estavam previstas 40 vagas para o ISCED de Cabinda, destas, na contraproposta que veio do Ministério e que se concretizou, ficamos reduzidos para 25.
- Quais são os cursos que apresentam maior necessidade de docentes?
Olhando para as necessidades reais de cada Departamento, podemos dizer que os Cursos de Biologia e Matemática vão continuar a precisar de mais professores, pese embora o Departamento de Inglês seja, também, uma área carenciada. Estamos, agora, a realizar um trabalho de levantamento das necessidades, fruto da inserção que fizemos dos novos docentes, mas só depois deste trabalho interno, a nível do Departamento dos Recursos Humanos, é que poderemos dar o número real das nossas necessidades. Olha que, enquanto estávamos à espera da conclusão do processo do concurso de ingresso, tivemos tendência para contratar alguns docentes, como forma paliativa de resolver alguns problemas pontuais.
- O que esteve na base da não contratação?
Tivemos algumas dificuldades porque, para qualquer contratação, os colaboradores são pagos a partir de receitas próprias da instituição e não as provenientes do Tesouro. Felizmente, com a entrada em funcionamento dos colegas admitidos no último concurso, a distribuição, em termos de carga horária foi revista a partir do início do segundo semestre de aulas.
- Nesta altura, quais são os cursos disponíveis e qual o número de estudantes matriculados?
Estamos, neste momento, a funcionar com sete cursos do nível de licenciatura, nomeadamente Educação de Infância; Ensino Primário; Ensino da Língua Portuguesa; Ensino da História; Ensino da Biologia; Ensino da Língua Inglesa e Ensino da Matemática. Ao nível da pós-graduação, temos dois cursos de mestrado, sendo que um já encerrou a primeira edição, que é o “Mestrado em Metodologia de Ensino de Línguas, na Especialidade de Língua Portuguesa para o Ensino Secundário”, que se enquadra no Plano Nacional de Gestão do Pessoal Docente, em colaboração com a Universidade de Aveiro. Este curso foi financiado e supervisionado pelo Gabinete de Quadros da Casa Civil do Presidente da República.